PRIMEIRO PRESÉPIO
Francisco,
durante toda sua vida de convertido, quis seguir com fervor e perfeição, "os
passos de Nosso Senhor Jesus Cristo, no seguimento de sua doutrina. Estava
sempre meditando em sua palavra e recordando seus atos com muita inteligência.
“Gostava tanto de lembrar a humildade de tal encarnação e o amor de sua paixão,
que nem queria pensar em outras coisas”.
Por ocasião de um natal, Francisco encontrava-se no povoado de Greccio. Tinha em grande estima um homem chamado João e lhe disse:
-Se você quiser que nós celebremos o natal de Greccio, é bom começar a preparar diligentemente e desde já o que vou lhe dizer. Quero lembrar o menino que nasceu em Belém, os apertos que passou como foi posto num presépio, e ver com os próprios olhos como ficou em cima da palha, entre o boi e o burro.
Visto a novidade deste acontecimento e para evitar qualquer comentário que pudesse nascer dessa inovação, Francisco tinha pedido de antemão a autorização ao papa.
Chegada à noite de natal, irmãos e povo apareceram numerosos e cheios de alegria com tochas acesas para iluminar a noite e contemplar o presépio cheio de palha, com a representação do Menino Jesus e com o boi e o burro. Foi uma nova Belém e a alegria foi geral naquela noite clara como o dia. Todos cantavam e Francisco "parou diante do presépio e suspirou cheio de piedade e de alegria". São Boaventura escreveu que este ficou em "êxtase, banhado de lágrimas e cheio de gozo celestial".
Para a celebração da santa missa, Francisco revestiu a dalmática e cantou o Evangelho com "voz forte, doce, clara e sonora" e pregou em seguida.
Dizem que a palha do presépio foi levada pelo povo e, apresentada a animais doentes de peste, ela os curava.
Por ocasião dessa celebração do primeiro natal da história, a alegria de Francisco foi profunda, conforme sua própria natureza. Como foi alegre na sua juventude, ele o foi em toda sua vida, mesmo com os sacrifícios e as macerações com as quais maltratava o "irmão corpo", conforme o conhecido adágio: "um santo triste é uni triste santo".
A alegria que Francisco sentiu ao ver no primeiro presépio o boi e o burro vivos, ele a sentia com os animais que encontrava livres na natureza e com os quais falava.