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SUBSÍDIO PARA MOTIVAR ENCONTRO FRATERNO

 

 (Frei Hilário)

(Vida Fraterna)

 

By Frei Manuel

 

Todo mês será enviado – pelo frei Hilário, responsável pela animação da Vida Fraterna – material formativo às fraternidades para serem usados como apoio nos encontros fraternos. Este é o nono da sequência.

 

O Franciscanismo no terceiro milênio

Ser franciscano no terceiro milênio está sendo um desafio, devido as mudanças rápidas pelas quais estamos passando. O próprio ser humano já em sua natureza é “marcado pela peregrinação: donde venho, onde estou e para onde vou.” No franciscanismo não é diferente, quem entra a fazer parte deste movimento já se depara com a pergunta de Francisco: “Senhor, que queres que eu faça?” Isto é, a vontade de se colocar no movimento do Espírito, fazer a vontade do Senhor e não a sua própria.

1. Da origem um olhar para o futuro.

Talvez não muito consciente de qual seria o impacto que o seu modo radical de vida, para a época, causaria na sociedade. Francisco imprimiu uma resposta  às necessidades e apelos dos tempos novos que chegavam também na sociedade do seu tempo. O mundo que ele conhecia era do “monarquismo, parado, estabilizado”, que começava a ser balançado pelo comércio.

Ele “lançou a mística do peregrino e forasteiro neste mundo. Num mundo, classista,  com senhores suseranos e a plebe, como monacato de Abades e conversas a despertar para a igualdade, ele projetou o movimento da fraternidade. Num mundo a chegar, com toda a gente a respirar ânsia de dinheiro, que o comércio suscitava, ele propôs caminhos de pobreza e desprendimento. Num mundo com uma igreja, pressa do fausto e da ostentação, ele falou de pobreza e de simplicidade. Num mundo de guerras fratricidas de uns contra os outros, por tudo e por nada, ele apontou  e mostrou caminhos de paz  e de reconciliação. Isto foi o franciscanismo das origens.

2. Caminhos do Terceiro  Milênio que pedem uma intervenção franciscana.

Parecia que a humanidade estava salva de todos os seus problemas, a pós-modernidade traria todas as respostas e soluções para o ser humano, mas não é bem isso que estamos vendo. As propostas de saída para o futuro como o economiscismo, a concorrência e competitividade, o acúmulo de bens entre poucos, os poderosos meios de comunicação ditam a moral; a lei parece estar sempre do lado dos mais fortes. O espaço ente ricos e pobres é sempre crescente, a degradação do ser humano (sempre em segundo plano) a ausência de valores, a objetivação e exploração das pessoas, a crise de esperança, os atentados contra a criação, o homem sem transcendência, sem razões para viver e por aí vai uma lista enorme de problemas e inquietações.

3. Áreas a privilegiar pelo franciscanismo no Terceiro Milênio

A falta de ideal e de valores que o mundo está vivendo parece se encontrar no franciscanismo, por exemplo: “a minoridade, a fraternidade, a promoção da paz, a pobreza como libertação e opção pelos pobres, o respeito pela criação, o clima de transcendência, centrado num Deus que é amor

A) A minoridade

Faz parte da identidade de Francisco e de toda a sua família. Era assim que ele queria ser chamado: irmão menor. Essa não foi uma tática dele, mas um aprendizado do Evangelho. Ele nunca se compreende acima de ninguém. “Escolhe como seu lugar próprio, estar sempre entre e com os menores”. Quem age assim mata toda a inveja imperante, “Acabaria com a concorrência e competitividade que esmaga pessoas, espalha conflitos, é fonte de ameaças, semeia injustiça”. ‘Tem por amigos os pequenos, os mais frágeis, os mais fracos.Não tem medo de ninguém, mesmo num mundo cheio de medos como é o nosso.”

B) A fraternidade

Francisco queria que todos fossem irmãos, ele criou uma Ordem de irmãos, hoje é uma família; com irmão se partilha tudo que recebe até com obediência uns aos outros. Todos devem viver sem discussão, brigas, divisões, mas sempre na alegria e simplicidade. “Um mundo de gente assim acabaria com o egoísmo, acabaria com a solidão de muita gente, aproximaria as pessoas, “as guerras e os crimes iriam desaparecer”.

C) Promoção da Paz

“Faz parte do franciscanismo a promoção da paz. Francisco não apenas vivia este ideal no coração como o manifestou várias vezes em diversas circunstância que pediam como  dissolução dos conflitos a paz. Seu desejo de ir ao  encontro dos sarracenos,  o diálogo restabelecido entre autoridades, o respeito e a paz entre um lobo e os habitantes da cidade de Gúbio. “A saudação entre os irmãos devia ser, cada dia, um desejo de paz... A norma de base era o perdão, perdão sem medida, como se manda a carta de Francisco a um ministro. Ser franciscano é promover a paz com palavras e obras”. É sempre cantar uma canção de paz, fazer uma oração pela paz como esta: “Senhor, fazei de mim instrumento da vossa paz!

D) Pobreza como libertação

Esta é a base do franciscanismo, norma de vida. É a pobreza de Nosso Senhor Jesus Cristo que Francisco a chama de “altíssima, uma senhora, uma esposa, uma graça do Senhor”, tem que ser voluntária que consiste em não ter nada de próprio. É se libertar de tudo em favor dos pobres, não ser apegado a nada e a ninguém. “Pobreza que é humildade”,  como a de Jesus, pobreza que faz ver tudo com dom.

“Num mundo de ganância, de ambições desmedidas, de avareza, onde o que se ganha e se tem nunca chega... tal testemunho autêntico e “escandaloso” de pobreza franciscana seria decisivo. Seria uma contestação, talvez silenciosa, mas mais eficaz e necessária. Seria uma revolução cada vez mais urgente”.

E) Respeito pela criação

O respeito pela criação faz parte do ideal franciscano. O olhar do franciscano para as criaturas é diferente, deve ser segundo o olhar do Criador. “As coisas criadas revelam a glória de Deus... Refletem o amor de Deus para conosco. Servem para com elas louvarmos o Senhor. A pobreza franciscana é também e sempre respeito pelas criaturas”.

Diante dos desmandos, do egoísmo e da ganância do homem que está causando um desequilíbrio cósmico pela exploração irresponsável da criação, pelo uso e abuso de tudo, “a voz franciscana, a partir da fé, poderia ser uma lufada de ar fresco e de esperança na cidade dos homens que corre o risco de dar cabo da sua casa comum, o cosmo em que habitamos”.

F) A recuperação da Contemplação e do sentido de Deus no mundo.

Para o franciscano Deus é o centro de tudo. Ele é a razão de tudo, é a nossa luz, a caridade, a misericórdia, a segurança... A fonte de todo o bem, a nossa esperança... Uma presença que se respira em todas as coisas... O alimento da nossa alma. Num mundo que se diz ter tudo, um homem que se basta a si mesmo, mas que vive pela força da droga, do sexo, do dinheiro, dos encantos da técnica e que constantemente se escuta falar de “fossa”, “droga de vida”, vida que não tem sentido, não há ninguém por quem se possa viver, acreditar em quê, em quem? Algo deve estar errado. O franciscanismo apresenta várias experiências de vida que mostram que a vida é dom de Deus e que, portanto só encontra o seu verdadeiro sentido nele, através de experiências de encontro como no Alverne, em São Damião, em Rivotorto, na Porciúncula, no meio dos leprosos, os mais sofridos. Esse tipo de encontro só acontece no silêncio, o nosso mundo cultua o barulho, dificultando a escuta da voz de Deus. O franciscanismo é uma escola de contemplação, se bem entendida ela poderá ajudar a recuperar o sentido da vida e o sentido de Deus no mundo.

(texto baseado em : O franciscanismo no terceiro milênio de Dom A. Monteiro)

 

                                            A equipe

 

 

                  JORNADA FRANCISCANA (OFS DE POCONÉ)

 

Dia 15 de novembro último, a fraternidade São Francisco do Pantanal de Poconé - MT, juntamente com alguns membros da fraternidade Santa Isabel da Hungria de Cuiabá, estivemos em um dia de convivência fraterna no Pantanal, no monumento dos 100 anos de presença da TOR no Brasil, km 15 da Transpantaneira; foi um momento muito rico de ação de graças, estar no meio da Mãe natureza é um privilégio e ao mesmo tempo um louvor ao Criador. Como dizia nosso Seráfico pai São Francisco: “Louvado sejas, meu Senhor, por todas as criaturas”. E como é bom os irmãos se encontrarem para sentir o sabor da vida.

Frei Manuel, TOR

 

 

 

 

 

 

 

 

MOSTEIRO, DAS IRMÃS CLARISSAS, SANTA MARIA DOS ANJOS

         

 

 

 

 

 

SUBSÍDIO PARA MOTIVAR ENCONTRO FRATERNO

 

 (Frei Hilário)

(Vida Fraterna)

 

By Frei Manuel

 

Todo mês será enviado – pelo frei Hilário, responsável pela animação da Vida Fraterna – material formativo às fraternidades para serem usados como apoio nos encontros fraternos. Este é o décimo da sequência.

 

 

                FALANDO SOBRE DISCERNIMENTO VOCACIONAL

 

Você, talvez, poderá dizer, mas por que isso agora? A formação permanente sempre deve trazer coisas novas e velhas, como está no Evangelho. E outra. Em nossas casas e Paróquias estamos sempre em contato com jovens que manifestam o desejo de seguir o mesmo caminho que estamos seguindo como consagrados e celibatários.

Lendo um livrinho de Amadeo Cencini, “Quando a carne é fraca, o discernimento vocacional diante da imaturidade e das patologias do desenvolvimento afetivo-sexual”. Pensamos que poderia ser um tema interessante e até importante a ser tratado em nossas fraternidades. Esse assunto, de certa forma, está na boca do povo, na mídia, às vezes, de maneira deturpada e pejorativa.

O ser humano é dotado de uma energia forte chamada emoção ou sentimento expressa através da afetividade-sexualidade, é como se fosse uma caixa de ressonância, toda ação que sofremos ou fazemos passa por aí. Existem experiências que manifestamos com liberdade e outras que escondemos atrás de “outros problemas como o medo, a vergonha ou algum falso preconceito”. Diante dessa realidade reagimos quase sempre da seguinte forma: “como o indivíduo não manifesta determinados comportamentos, não tem problema; como é uma pessoa tranqüila, pode ir adiante; ou interpretar o silêncio sobre o assunto como sinal de maturidade”. Aí está o engano ou amadorismo no discernimento vocacional por parte dos educadores responsáveis pela condução do itinerário formativo.

O discernimento vocacional para a Vida Consagrada e ou sacerdotal é bastante complexo, não depende somente de um conjunto de normas bem elaborada pelos Institutos religiosos, embora até exista, como iremos ver:

# “uma sólida identidade sexual, bem tipificada pelo próprio sexo de pertença que permita relacionar-se com a alteridade e diversidade... livre de condicionamentos e dependências afetivas, com ou sem conotações eróticas;

# a possibilidade e a capacidade de viver plenamente, no celibato, o “significado esponsal” do corpo humano, “graças ao qual a pessoa se doa à outra e a acolhe no serviço desinteressado, sem preferências ou exclusões...

# um grande amor, vivo e pessoal, em relação a Jesus Cristo..., continuando numa dedicação universal, numa vida madura de fé;

# uma suficiente e progressiva liberdade e maturidade afetiva que os torne pessoas de relação, capazes de verdadeira paternidade pastoral e tornados conforme os sentimentos do Filho, Servo e Cordeiro...

# a certeza moral de poder viver o celibato e a castidade sacerdotal, enfrentando, com determinação e prudência, o peso da renúncia ao exercício de um instinto profundamente radicado em cada homem e em cada mulher...

“Esses critérios indicam os percursos e constituem o ponto de chegada da formação sacerdotal e religiosa, no perfil da maturidade afetivo-sexual”. (Docmtos: Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, Posstissímum institutioni. Orientações sobre a formação nos institutos religiosos (PI), 39-40).

O ser humano que discerniu sua vocação e aquele que inicia esse processo se depara com três realidades implícitas: sexualidade, amor, e virgindade (entendemos por esta última consagração a Deus). Existe uma ordem entre essas três realidades que necessariamente deve ser seguida e ser um ponto de observação no discernimento vocacional. Nessa área quem tem a palavra é a Psicologia que, por definição procura “explicar o mecanismo intimo intrapsíquico da pessoa como ser sexuado e chamado a amar”, mesmo no caso que tenha escolhido ser virgem, isto é, ser consagrado pelo reino de Deus.

 

Ordem da sexualidade

A sexualidade tem uma dinâmica própria que os especialistas chamam, uma espécie de DNA, no qual está toda sua natureza e funções.

É dinâmica; não é só um fato biológico, psicológico ou exercício do genital, mas ela é dinâmica, portanto, educável, que envolve o uso da liberdade e responsabilidade da pessoa. Ela possui vários componentes: genitalidade, órgãos que se pré-dispõe à uma relação fecunda; corporeidade, todo o corpo é sexuado; afetividade, só é verdadeira quando é elevada e integrada pelo amor; espiritualidade, o corpo foi feito para manifestar a verdade, é a semelhança com Deus.

A sexualidade é uma soma de vários fatores que se entrelaçam, é energia, necessidade, potencialidade, “invenção divina e realidade muito humana...autonomia e pertença, ...espontaneidade e lei enraizada no ser...brilho pascal e instinto humano...É lugar, em especial, da tipificação do gênero de pertença, lugar onde a identidade encontra um ponto preciso de referência (até biologicamente fundamentado) e no qual a alteridade atinge o seu ponto mais evidente”. Portanto, a vivência desses quatro componentes e a integração das polaridades mencionadas constitui uma identidade sexual bem definida; com a compreensão de que a vida é um bem recebido e que portanto deve ser bem doado entre eu e tu, eu e nós, eu e os outros.

 

Ordem do amor

Foi Santo Agostinho quem primeiro falou sobre isso, trata-se de um ordenamento interno que o ser humano possui para o bem, para o amor; é o diferencial em relação às outras criaturas. Ela segue uma escala do menos amável até o maior do qual procede todo o amor, Deus; “o ser sumamente amável e desejável, o único verdadeiro desejo, embora, às vezes, inconsciente, do coração humano”. O verdadeiro amor se expressa no amor de Deus, mas ele partilhou conosco o seu amor, derramando em nosso coração a sua maneira de amar “desinteressada e gratuita, acolhendo o outro incondicionalmente...para desejar o seu bem e fazer as coisas por amor e a observar a lei não por obrigação, mas livremente. Amar a Deus com todo o coração, para amar, com o seu coração, toda criatura”.

 

 

Ordem da virgindade

É a forma de amar segundo a ordem do amor existente em cada pessoa. É a escolha que o virgem pelo reino, faz. Amar a Deus sobre todas as coisas, com todas as suas forças, inclusive acima do amor natural que ele sente por uma mulher, o qual parece ser o que mais atrai o homem neste mundo. Quanto mais o virgem escolhe a Deus como objeto do seu amor, mais ele se identifica tornando-se semelhante ao seu amado.

A opção virginal não visa a perfeição pessoal, mas “fundamentalmente anúncio da verdade do coração humano criado por Deus e, portanto, orientado para ele, ou “chamado” a encontrar somente nele a satisfação plena, qualquer que seja o seu estado de vida”.

 

(A fonte base desta reflexão já foi citada – Iremos continuar com este assunto nos próximos Notícias.)                                        

                                                                                                   A equipe

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