| Guajará-mirim
A
origem atual da cidade de Guarajá-mirim, que em língua
tupi-guarani, segundo alguns, significa “cachoeira pequena”,
achava-se profundamente ligada à construção da
estrada de ferro Madeira-Mamoré. Pode-se afirmar, sem receio
de dúvidas, que a cidade é uma conseqüência
feliz da construção desta ferrovia.
Dom Galibert, TOR, bispo de São Luís de Cáceres,
Mato Grosso, tinha enfrentado três vezes a longa viagem do Guaporé,
do Mamoré e dos seus afluentes, indo até Santo Antônio,
perto de Porto Velho. Esta região e este povo pertenciam a sua
diocese. Por isso, sentindo que o povo desta região seria dificilmente
atendido a partir de Cáceres, por causa das distâncias
e das dificuldades naturais, solicitou à autoridade romana que
fosse formada uma prelazia que alcançasse a região do
Guaporé e do Mamoré.
Após a intervenção do superior geral dos terciários
franciscanos, vencidos os obstáculos que se apresentaram durante
vários anos e o novo território enfim determinado, a prelazia
de Guajará-mirim foi criada a 10 de março de 1929, com
a Bula “Animarum cura in toto” do Papa Pio XI. Guajará-mirim
ficava como sede e os seringueiros e, sobretudo, os índios do
Guaporé como campo de trabalho dos futuros padres franciscanos
que iriam trabalhar nestas bandas fronteiriças.
Pierre Élie Rey (Francisco Xavier Rey) nasceu na aldeia de Fauch,
França, no dia 29 de junho de 1902. Liberado do quartel, ingressou
no noviciado dos Franciscanos da Terceira Ordem Regular, em Ambialet,
França. Cursou em seguida a filosofia e a teologia, sendo ordenado
padre em Albi, no dia 23 de junho de 1929. Para realizar sua vocação
missionária, os superiores o mandaram para a missão do
Brasil. Desembarcou no Rio de Janeiro e seguiu, poucos dias depois,
para Cáceres, Mato Grosso, onde trabalhou com Dom Luís
Maria Galibert, TOR.
Realizou algumas viagens missionárias. Visitava os índios
Parecis num empreendimento corajoso e ao mesmo tempo perigoso, quando
foi surpreendido pela sua nomeação como prelado, no dia
25 de julho de 1931, na recém-criada prelazia de Guajará-mirim.
O jovem prelado tinha 29 anos. Essa função eclesiástica
mudava completamente sua vida no sentido de que não mais teria
superiores locais, mas deveria dirigir como responsável o novo
empreendimento que seria sua prelazia de 90.000 quilômetros quadrados
e que teria como eixo central os rios.
Dom Rey chegava em Guajará-mirim com toda a força de sua
juventude e um ardor missionário indefectível e entusiasta.
Sacerdote comprometido com a missão que lhe tinha sido apontada
pelo Santo Padre, ele começou imediatamente o serviço
pastoral. Missas, primeiras comunhões, confissões, atendimento
personalizado, o anúncio do Reino acontecia pelos seus serviços
sem que se esquecesse das necessidades materiais das pessoas, especialmente
dos doentes.
Frei Francisco Maria Herail TOR, do seu lado, trabalhava sobretudo na
catequese, rezando as missas e no atendimento espiritual dos doentes.
Sofreu muito de malária e rapidamente viajou para a França.
Então, frei Paulo Maria Cabrol, TOR foi para Guajará-mirim
e assumiu logo a paróquia como pároco.
Durante muitos anos, Dom Rey dividiu sua vida entre o atendimento em
Guajará-mirim ou alhures e às desobrigas. O cansaço
destes trabalhos, o calor do dia tão natural sob os trópicos,
as preocupações constantes, tudo isso o tornava presa
das doenças, a malária, sobretudo, e o fígado em
seguida. Passava então muitos dias na dor do sofrimento e na
tristeza de sentir-se imobilizado, sem poder executar os trabalhos cotidianos.
As mãos calosas de Dom Rey nunca se fecharam no seu trabalho
missionário: estava disponível às pessoas, transmitia-lhes
a palavra e o perdão de Deus, preparava os locais que facilitariam
esses compromissos. Neste período de sua vida em que foi somente
prelado, Dom Rey, ajudado por dois padres, encontrou respostas extraordinárias
para os problemas e necessidades cotidianas. Em todas as atividades
de sua vida, Dom Rey foi o homem de Deus e o franciscano. Os religiosos,
passageiros do eterno em terra estrangeira, continuaram firmes na sua
missão porque a fé, a verdade de Deus e o amor aos filhos
e às filhas de Deus foram seu ideal mais profundo. Dom Rey e
seus irmãos, os frades missionários, foram dignos do pai
São Francisco que gritava ao mundo: “O Amor não
é amado”.
Dom Rey, cansado da luta diária, solicitou um ajudante e frei
Roberto de Arruda ,TOR, foi nomeado coadjutor. Em 1966, dom Rey renunciou
à administração da prelazia de guajará-mirim.
Dom Roberto de arruda assumiu a direção da prelazia até
o dia 12 de dezembro de 1978, quando renunciou à missão
de bispo. Mais tarde, o padre Gerard Verdier seria sagrado bispo e assumiria
os destinos da prelazia. Pouco a pouco, os frades da TOR se afastaram
e o novo bispo completou as vagas paroquiais com padres de diversas
congregações. Transformou também a prelazia em
diocese e tornou-se o primeiro bispo de Guajará-mirim
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