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A comunidade e a igreja do bairro
do Sumaré em
São Paulo

Frei
João Luís Bourdoux, superior geral dos Frades Terciários
Franciscanos de Albi, França, tinha chegado ao Brasil no final
do ano de 1930 com três candidatos para a missão de Mato
Grosso, o frei Francisco-Xavier Rey e os senhores Salvador Rouquette
e Cassien Daviaud.
Frei João Luís projetava uma casa de formação
em São Paulo para os jovens que estudavam em Poconé e
preparavam sua escolha para a vida religiosa na qual haveria melhores
possibilidades para seus estudos ginasiais e superiores. De outro lado,
precisava de um lugar de repouso numa região sadia e com recursos
hospitalares e medicinais suficientes para os missionários doentes
ou cansados. Viajando no trem que ia do Rio de Janeiro para São
Paulo, frei João Luís encontrou-se ocasionalmente, ou
providencialmente, com um deputado, o conde José Vicente de Azevedo.
Este tinha feito um voto de construir na cidade de São Paulo
um santuário a Nossa Senhora do Rosário no lugar da igreja
do mesmo nome derrubada no centro da cidade por motivo de urbanização.
Frei João Luís conversava com o conde sobre seus planos
de uma casa em São Paulo e o conde de Azevedo propôs-lhe
uma cooperação: ofereceria terrenos no Pacaembu de Cima,
isto é, no bairro que se iniciava na colina do Sumaré
e a construção da casa de formação; o frei
João Luís, em compensação, construiria uma
igreja consagrada a Nossa Senhora do Rosário.
Era um grande esforço para os frades franciscanos que abririam
a casa de São Paulo e a projetada Prelazia de Guajará-mirim,
mas era também a manifestação de uma grande confiança
em Deus. Os noviços e sobretudo os estudantes de filosofia e
teologia eram numerosos nas casas francesas e prometiam a chegada de
muitos frades para a realização tranqüila desse duplo
empreendimento.
O conde de Azevedo, fiel a sua promessa, iniciou logo em 1930 a construção
do futuro convento que seria sobretudo uma escola apostólica,
isto é, uma casa onde se preparariam jovens que seguiriam mais
tarde a vida religiosa e o trabalho nas missões.
No dia 11 de fevereiro de 1932, o convento foi inaugurado com a maior
solenidade por dom Duarte Leopoldo e Silva, arcebispo de São
Paulo. A capela e o convento estavam prontos. Os jovens estudantes e
a devoção a Nossa Senhora de Fátima começava
a se desenvolver na pequena capela.
O vocábulo “de Fátima” tem sua história.
O bem-feitor exigia que a futura igreja fosse dedicada a Nossa Senhora
do Rosário. Ora, não muito longe do Sumaré havia
a igreja de Nossa Senhora do Rosário dos padres camilianos. Para
evitar confusão, frei Inácio sugeria que se chamasse Nossa
Senhora de Fátima, mas frei João Luís estava reticente.
Uma
pouco mais tarde, frei Berardo, português de origem, sugeriu que
frei João Luís atravessasse Portugal e visitasse Fátima.
Este escreveu a frei Inácio: “Lembro que me propuseste uma
vez o nome de Fátima para nossa igreja. Isto não me tinha
causado impressão. Mas agora que conheço suficientemente
a história de Fátima e sei que a virgem Maria disse se chamar
Nossa Senhora do Rosário, faço questão que Nossa
Senhora do Rosário de Fátima seja a padroeira de nossa futura
igreja”.
Assim foi possível conciliar a exigência do bem-feitor e
a devoção de frei Inácio: a igreja do Sumaré
chamar-se-ia Nossa Senhora do Rosário de Fátima.
Na capela do convento começava a se desenvolver o culto de Fátima.
Todos os dias treze, especialmente treze de maio, os peregrinos apareciam,
sobretudo os portugueses. Havia várias missas e uma grande procissão
à tarde.
Precisava-se construir a igreja. As condições do conde de
Azevedo eram claras e precisas: devia ser espaçosa, cobrir uma
superfície de 800 m2, possuir quinze capelas representando os quinze
mistérios do rosário e ter duas torres que caracterizassem
o estilo colonial.
No dia 13 de maio de 1935, dom Gaspar de Afonseca, bispo auxiliar, benzeu
a primeira pedra diante de muitos peregrinos. Na Páscoa de 1940,
dom José Gaspar de Afonseca erigia a paróquia. Era a 106a
da cidade de São Paulo e frei Inácio Gau era o primeiro
pároco. A treze de maio de 1942, as obras principais estavam concluídas
e dom Gaspar benzia o novo edifício.
Cada frade que passou pelo Sumaré deixou a marca de sua presença.
A mais importante foi sempre o trabalho espiritual que se desenvolveu
no santuário. Mas muitos deixaram também sua marca nalguma
obra que ajudaram a fundar e se desenvolver. Frei João Demarty
iniciou um Centro Social e Educativo que começou a funcionar em
1940. Abriu primeiramente três salas de aula e dois consultórios
onde trabalhavam um médico e um dentista. Seguiram um Jardim de
Infância, uma sala de festas com um cinema e, mais tarde, na antiga
capela paroquial, quatro salas de aula que duplicaram a capacidade do
centro.
No Sumaré, construiu-se, com a APM local, o prédio de três
andares que serve hoje para os alunos do SESI e onde se ministra gratuitamente
o ensino a muitas crianças que pertencem às famílias
do bairro. Transformou-se também a disposição interna
dos andares da casa dos frades e dos estudantes de filosofia e teologia.
Nos tempos atuais, os frades Yves Terral, TOR e Alain Hévin, TOR,
levantaram em tempo recorde o CAP, Centro de Atividades da Paróquia,
deixando o convento para a vida dos frades e estudantes.
Os frades têm hoje, no Sumaré, um conjunto de edifícios
e de obras que permitem um melhor trabalho com a paróquia. Aproveitam
o que ao mais velhos fizeram e estes esperam, quando chegar a hora, poder
entregar nas mãos dos irmãos e colegas brasileiros, um instrumental
que lhes permitirá continuar o belo trabalho desenvolvido desde
o ano de 1932.
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